quarta-feira, 30 de abril de 2008

Homens x Mulheres

Estava vendo o filme mexicano "Cansada de Beijar Sapos" que conta a história de uma bem sucessida decoradora que dá azar no amor ao descobrir que seu namorado a esta traindo, depois de sair para beber ela decido que será homerenga, ou seja, só vai querer casos sem compromisso algum, o filme aponta para um lado em que parece que vai explorar que as mulheres também podem ter relacionamentos casuais sem romance. Basicamente uma proposta que bateria de frente com o machismo, essa é a premissa do filme, mais não só ela apenas dura 15 minutos de filme como se acovarda e acaba se revelando machista, o que garanto não deveria ser a intenção dos realizadores, a jovem Martha acaba saindo com vários rapazes ao mesmo tempo, mais é só isso que ela fez, ela nem os beija, e quando isso acontece logo afasta o homem.
Se você quer defender uma idéia, não tenha medo, a proposta é logo atirada para escanteio, se um homem fosse protagonista do filme, na sequência em que o personagem conhece vários pretendentes o filme logo mostraria ele na cama com diversas mulheres, aqui temos no máximo ela conhecendo tipos estranhos e óbvio nenhum dos rapazes que ela conhece (virtualmente diga-se de passagem no site cansada de beijar sapos) é o que ela se apaixona sendo um jovem que não tem nada haver com essa busca.
Mais o filme também falha como comédia romântica já que utiliza todos os clichês do gênero sem medo, porém conta com uma protagonista maravilhosa, Ana Serradilla, que é a cara de Natalie Portman, mais isso é bom apenas para os olhos.
Quero ver um filme que vai ter coragem de nos apresentar uma mulher protagonista e seus casos sem importância, será que não torceriamos por ela se ela fose sexualmente liberal? Mais torceriamos para um homem?

sexta-feira, 18 de abril de 2008

TV e Teatro

Tenho um novo vício na TV, esse vício se chama "Pushing Daisies", que é uma estranha mistura de CSI + Tim Burton + Wes Anderson + Conto de Fadas.
De CSI temos a premissa forense da série, que segue pessoas resolvendo crimes, de Burton temos o universo fantástico e o humor negro, de Anderson encontramos o mundo colorido e os enquadramentos centralizados e também o humor melancólico e de Conto de Fadas temos sua romântica história de amor.
A Série conta a história do jovem Ned que quando criança descobriu um dom poderoso mais que também pode ser encarado como uma maldição, ele pode trazer as pessoas de volta a vida com apenas um toque, e com outro toque ele devolve a pessoa ao mundo dos mortos, mais não é só isso, se ele ressucitar alguém, essa pessoa só poderá se manter viva por 1 minuto, caso ele não a toque novamente outra morre sem seu lugar, e Ned descobre isso da pior maneira, ao trazer sua mãe de volta a vida, ele a deixa passar a marca de 1 minuto e quem morre em seu lugar é o pai da garota em que ele ama. Muitos anos se passam e encontramos Ned como dono de uma confeitaria mais também trabalhando com o detetive Emerson Cod de um jeito simples, quando alguém é assassinado sem pistas, eles ressucitam a pessoa, perguntam quem a matou, revelam para polícia e recebem a recompensa. Isso até o dia em que Ned vê na TV que Charlotte"Chuck" Charles, o amor da sua vida foi assassinada, ele viaja até sua cidade natal, traz sua amada de volta a vida, mais não tem coragem de "mata-la" novamente, eles fogem, e agora vivem uma impossível história de amor, jamais poderão se tocar.
Criada por Byan Fuller (de outra original e hilária série, "Dead Like Me"), "Pushing Daisies" é um sopro de novidade em meio a tantas séries iguais, tendo um cuidado especial com seus ótimos diálogos, sua direção de arte e toda sua parte técnica, Se elenco também é maravilhoso, Lee Pace transforma Ned em um herói desajeitado porém real, melancólico e charmoso, Anna Friel como Chuck é apaixonante desde o primeiro momento que surge em cena e Chi Mcbride como o irônico Emerson Cod está hilário, sem esquecer de Jim Dale como o narrador com estilo único e seu sotaque inglês. Enfim "Pushing Daisies" merece ser conferida, sera amor a primeira vista.

CHALAÇA

No último FDS assisto ao espetáculo Chalaça, montado por ex-formandos da Unicamp. A peça retrata a época de Dom Pedro I, suas corrupções, seus erros e seus problemas, mais trata desse tema de um jeito bem atual, trazendo todos os acontecimentos como se estivéssimos em uma CPI e os personagens dando seus depoimentos.
A peça contém bem mais acertos que erros entre esses seu próprio conceito, textos maravilhosos e a maioria do elenco acertando em tudo, é claro que temos elos fracos que acabam tornando a peça cansativa no momento em que se concentra neles, ainda mais com a fórmula de falar ao microfone que diminuí o trabalho corporal, proém quando o ator certo está em cena, é perfeito.
Mais o que gerou grande polêmica foi uma cena em particular em que dois atores se despem por completo, tocam nos seus orgão genitais, cospem uns nos outros entre outras coisas mais "interessantes" que merecem ser vistas e não discutidas, em princípio a saber de tais coisas fiquei em dúvida, mais vendo a execução e a proposta, combina perfeitamente sendo um dos melhores e mais inspirados momentos da montagem, mostrando também a coragem dos atores em cena.
Também recomendo a peça....

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Skins x Malhação

Quando se fala em produzir ficção para a TV Brasileira, logo pensamos em uma pasteurização, tudo é feito do mesmo jeito, as fórmulas são sempre as mesmas, todas as reviravoltas nós já sabemos, quem morre, quem fica grávida, enfim, tudo. Os nossos autores estão acostumados com essa fórmula e também o público que parece não se cansar de ver a mesma coisa toda vez mudando apenas uma ou outra coisa.
Além de tudo, nossas novelas são didáticas, elas mais parecem preocupadas em mostrar o que é certo e o que é errado do que simplesmente contar uma história, e sempre que tentamos inovar de algum jeito o projeto fracassa, ou se trata apenas de uma cópia mal feita dos enlatados, caso por exemplo do péssimo humorístico "Toma Lá, Da Cá", que tenta capitalizar em cima das sitcons americanas, mais sem um pingo de inteligência. Enfim, estamos presos a novelas com a mesma história ou seriados que mais parecem plágios.
Digo isso tudo para estampar a diferença entre obras "similares", Skins (um seriado para adolescentes produzido na Inglaterra) e Malhação (novelinha adolescente feita no Brasil). Enquanto o drama inglês busca retratar as angústias adolescentes de forma real, problemas na escola, problemas com drogas, perda de pais, relações amorosas, o draminha brasileiro tem como objetivo estilizar praticamente tudo de forma de entregar tudo mastigadinho para uma audiência que parece não estar disposta a pensar.
Em Skins vemos joves agindo como jovens, se eles bebem é pra se divertir em uma balada, se eles usam droga isso faz parte do processo, retratado de forma natural sem a busca pela polêmica, mais sim algo que muitos jovens enfrentam, quando alguém usa droga em Malhação essa pessoa ira se ferrar de todas as formas possíveis, vai cometer crimes, vai brigar com todos, vai se afastar da família e terá que aprender uma lição no final depois de muito sofrer. Lição moralista máxima, não que Skins faça apologia as drogas, de forma alguma, mais tudo é inserid de forma orgânica, e os problemas a seguir são reais e de fácil identificação, eles não buscam nos ensinar sobre o que esta sendo mostrado, eles confiam no nosso julgamento e na nossa capacidade de pensar.
E é assim com todos os temas, se alguém fuma em Malhação tem a lição de ensinar os problemas do fumo, se alguém bebe logo vira alcoólatra e enfrenta problemas, se alguém mata aula é pra fazer algo errado, quem é bonzinho resgata filhotes de cachorrinhos e ajuda velhinhos atravessarem as ruas, se alguém é o vilãozinho trata todos com desprezo, arma coisas que nenhum adolescente faria apenas pra salientar mais sua maldade e no final perde todos os amigos e em um dia reflete e percebe seus erros e muda de comportamento e todos vivem felizes. Em Skins todos são bonz e todos são ruins, alguém pode cometer um ato egoísta em um momento e logo em seguida fazer uma bondade, como qualquer um de nós, todos somos humanos que erram e acertam, mais em Malhação tem que haver distinção para o público ver isso, ver que os bonzinhos jamais fazem algo errado e que ele merece nossa torcida por isso, afinal não existem pessoas imperfeitas no mundo né?
Sem contar os diálogos expositivos, péssimo alívios cômicos e tantos outros problemas que fazem nós nos identificarmos mais com os reais adolescentes ingleses do que com os fantoches brasileiros